terça-feira, 15 de março de 2011

Síndrome Autista e Asperger

Hoje vou ser obrigada a fazer um Ctrl + C rapidinho. Mas espero que me desculpem. Eu mesma não escreveria tão bem assim sobre o assunto.

Esse fim de semana terminei de ler um livro que me matei de chorar. "Querido John", recentemente um sucesso nos cinemas que eu mesma não tive a oportunidade de ver o filme, mas como gosto mais de ler as histórias preferi o livro. E uma coisa que me chamou muito a atenção foi a doença do pai de John, que só fora descoberta após muitos anos, pela namorada (Savannah) de John que estudava o tratamento de crianças com necessidades especiais. E com os estudos e a convivência com um garoto chamado Allan que possuía a Sindrome Autista notou no pai de John alguns sintomas da Sindrome de Asperger. Ambas são bem parecidas mas no livro mostra bem claro a diferença entre os dois. O pai de John é metódico, tem horários pra tudo, seus dias são sempre iguais e tem um apreço muito grande por sua coleção de moedas. Já Allan é uma criança que não consegue estabelecer relações de amizades com mais ninguém a não ser com Tim (irmão de Allan) e Savannah.

Por que apresentam comportamentos diferenciados? 
Os sintomas apresentados pelos personagens são característicos de duas síndromes especificas: a Síndrome Autista e a Síndrome de Asperger.


"O autismo é um transtorno definido por alterações presentes antes dos três anos de idade. Caracteriza-se por perda na qualidade da comunicação, na interação social e no uso da imaginação, pode-se observar também a limitação das relações humanas e com o mundo externo. Allan, o personagem caracterizado como autista tem seu relacionamento bem restrito e sua fala é pobre, não interage com o mundo à sua volta.
De acordo com a CID-10, o autismo infantil se apresenta por um transtorno global do desenvolvimento caracterizado por:

a) um desenvolvimento anormal ou alterado, manifestado antes dos três anos, e b) apresentando uma perturbação característica do funcionamento em cada um dos domínios seguintes: interações sociais, comunicação, comportamento focalizado e repetitivo.

Além disso, o transtorno é acompanhado, por exemplo, de fobias, perturbações de sono ou da alimentação, crises de birra ou agressividade (auto-agressividade).

Segundo a ASA (Autism Society of American), indivíduos com autismo usualmente exibem algumas das características listadas a seguir:
1. Dificuldade de relacionamento com outras crianças;
2. Pouco ou nenhum contato visual
3. Preferência pela solidão; modos arredios
4. Ausência de resposta aos métodos normais de ensino
5. Insistência em repetição, resistência à mudança de rotina
6. Não tem real medo do perigo
7. Recusa colo ou afagos
8. Age como se estivesse surdo
9. Dificuldade em se expressar - usa gesticular e apontar no lugar de palavras
10. Acessos de raiva - demonstra extrema aflição sem razão aparente

É relevante salientar que nem todos os indivíduos com autismo apresentam todos estes sintomas, porém a maioria dos sintomas está presente nos primeiros anos de vida da criança e podem variar de leve a grave e em intensidade de sintoma para sintoma.
Muitas vezes, o autismo é confundido com outras síndromes ou com outros transtornos globais do desenvolvimento. Isso se deve pelo fato de não ser diagnosticado através de exames laboratoriais ou de imagem, por não haver marcador biológico que o caracterize, nem necessariamente aspectos sindrômicos morfológicos específicos; seu processo de reconhecimento é dificultado, o que posterga seu diagnóstico que é feito clinicamente, mas pode ser necessário a realização de exames auditivos com a finalidade de um diagnóstico diferencial.

Já a Síndrome de Asperger, descrita pela primeira vez em 1944 por Hans Asperger, trata-se de uma perturbação da personalidade, em contraste com o autismo infantil, onde os interesses são mais provavelmente por objetos, na síndrome de aspeger os interesses são mais por áreas intelectuais específicas.
Muitas vezes, estas crianças com asperger mostram em idade pré escolar, um interesse obsessivo por uma área específica como matemática, por exemplo, querendo aprender tudo que for possível sobre o tema e tendendo a insistir nisso em conversas e jogos. Esses interesses podem persistir até a fase adulta. No filme, o pai de John tinha obsessão por moedas que eram tratadas como seu maior bem e apenas através desse interesse que conseguia estabelecer alguns laços, como aconteceu com Savannah que conseguiu se aproximar dele se interessando também pelo tema.
Apesar de serem síndromes distintas, em ambos os casos o diagnóstico deve ser realizado por um profissional qualificado, baseado no comportamento, anamnese e observação clínica do indivíduo.
O tratamento consiste essencialmente em processos psicoterapêuticos individualizados. Ele requer intervenção em diferentes níveis, envolvendo necessariamente apoio psicológico e educacional, que devem ser prestados em colaboração estreita com diferentes profissionais (pediatras, psiquiatras, psicólogos, professores regulares e especializados). Este apoio deve incidir nas dificuldades específicas da criança, no entanto, ele deve, de uma maneira geral, incluir as áreas das competências sociais, linguagem, interesses e rotinas, motricidade, competências cognitivas e sensibilidade sensorial.
John a princípio não aceitava que seu pai tinha necessidades especiais que poderiam ser amenizadas com um tratamento adequado, o que o levou a não compreendê-lo durante muitos anos. Apenas quando tomou consciência que seus sintomas eram característicos de uma doença e não por querer passou a aceitá-lo, melhorando o relacionamento entre eles. Diferente de Allan, que era compreendido e tinha tratamentos adequados as suas necessidades, o que lhe proporcionou uma vida saudável e feliz desde o começo. Porém, o mais importante para que haja qualquer tratamento é a aceitação do indivíduo e da família de que existe algo a ser tratado."


Fonte: PisqueOnline

6 comentários:

Gui-San disse...

Nossa cara que texto maravilhoso, adorei saber do esforco das pessoas em informarem sobre a SA...
Eu sou portador, e ja fiz acompanhamento psiquiatrico, descobri um pouco tarde (ja tinha por volta dos 14 anos), mas hoje eu vejo a diferenca do que o tratamentto me proporcionou, realmente muitas caracteristicas da SA ficam bem marcantes, a quase a ponto de me definirem, mas eu consegui melhorar MUITO minhas habilidades sociais, mas como foi dito acima nao basta so a familia... eles me ajudaram mutio mesmo, mas se nao fosse pelo meu esforco em tentar fazer amizades e me dedicar ao tratamento de nada adiantaria, o passo mais importante foi eu reconhecer q era diferente e que poderia ter uma vida melhor. Adorei saber que existem pessoas interessadas sobre a SA
Bju adorei o texto

Hedigar disse...
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Hedigar disse...

MUITO BOM O POST!!!!!

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Natalia M. disse...

Gostei muito do post. É bom encontrar blogs que informem os outros sobre essa diferenciação e principalmente sobre suas respectivas características. Tem um filme chamado Noah and the Whale (não sei o nome em postuguês) que conta a história de um casal que possui a Sindrome de Asperger e é um filme lindo! Mostra exatamente essa fixação que os portadores possuem por determinadas áreas e assuntos.

Fico muito feliz em ver um espaço reservado a essa assunto pois namoro há 4 anos com um rapaz que possui a Sindrome de Asperger e devo dizer que nunca conheci ninguém tão inteligente quanto ele. Somos ambos formados em filosofia, mas devo dizer que o nível e quantidade de leitura que ele adquiriu é imensamente maior do que a minha. Eles possuem uma capacidade de aprendizado e uma forma de obter conhecimento de uma forma completamente diferente de nós, o que é fascinante. Ao mesmo tempo, também já presenciei muitas formas de preconceito contra pessoas que são portadoras da síndrome e sinto-me envergonhada quando os classificam e os ofendem de retardados.

Obrigada por tratar do assunto, adorei o post.

Anônimo disse...

oi natalia o qi do seu namorado e muito alto tipo 160 para cima ?????

Anônimo disse...

Parabéns mesmo por este texto maravilhoso ajudou muito no meu trabalho..Parabéns

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